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Corredores

por Daniel Higa, Patrícia dos Santos e Vicente Lima

por  Vicente Lima

    O Corredor acaba sendo um espaço de se lidar. Lidamos entre nós, os 7, compartilhando o lugar. Lidamos com o nosso próprio trabalho nesse ateliê coletivo em meio a todas a contaminações que acontecem quando pensamos e produzimos um ao lado do outro. É também o estágio das respostas dos trabalhos quando vão para o espaço e principalmente com o contato do público. São situações que fazem parte desse processo de criação e afirmação do trabalho, e ali nos possibilita exercitarmos nosso primeiros contatos com esses estágios. Mas nisso, talvez, o que o corredor mais nos permitiria lidar é com a falha. Não apenas como parte do próprio processo e planejamento, mas também a falha como incentivo do fazer, se de fato nos propusermos. O negócio talvez seja o exercícios de sabermos lidar com o saber com o que lidar.

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por Daniel Higa

    Corredor? Corrida? Correria? Essas são algumas das palavras que me veem à cabeça quando paro para pensar sobre o que é o Corredor 14. 

   A um primeiro olhar, uma fachada alta e estreita típica dos casarões antigos de Pelotas, que no seu nome já traz sua principal característica - um extenso corredor que percorre o terreno todo até o meio da quadra. Arquitetura sólida que carrega movimento, pois em sua definição corredor é: espaço de passagem, que conecta demais compartilhamentos da casa. Afinal, somos corpos e espaços conectados, ou seja, acho que acertamos no nome.

   Nós uma vez recebemos um convite através da nossa página do facebook, para nos juntarmos a um grupo de corrida. Acredito que era uma daquelas mensagens automáticas, que junta palavras-chaves e pronto, mas que não deixava de ser um convite para nos unirmos a um grupo e essencialmente correr. Daí então que vem as palavras que cito no início: corrida e correria. Como uma pessoa que tenta correr às vezes, me pego sempre procurando o ritmo,  que cansa de início e que demora a se encontrar, tem a haver com criar resistência e entender nossos corpos, como eles funcionam, e onde colocamos energia para continuarmos. Correr é ocupar o espaço da transição - o deslocamento, é pensar que nunca estamos no mesmo lugar, sempre passando por outros, é habitar o movimento. Indiretamente o Corredor 14 foi isso, somos artistes de diversos lugares e escolhemos habitar esse espaço, foi um convite para correr e estar nesse lugar. Acho que isso. Convidamos as pessoas para correr com a gente o tempo todo. Por fim, somos corredores.

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Bônus com Patrícia dos Santos

por Daniel Higa e Vicente Lima

    Pensar o Corredor 14, antes de tudo, é pensar a ideia de espaço e entender a forma como ele se constrói. O espaço se apresenta conforme exercitamos nossas ações dentro dele. 

    Partindo da definição arquitetônica que estabelece o “corredor” como um lugar de passagem e transição, vamos de encontro com a maneira que nós, artistas e membros do atêlie, produzimos e pensamos os nossos processos dentro dele, como coloca Luis Camnitzer quando fala sobre o meio de comunicação entre o artista e o público: “Funcionam como um corredor pelo qual circula a informação, e a informação se sustenta e amplifica com subentendidos compartilhados por ambos, artista e público.” pensar esse espaço de comunicação diz respeito também pensar a ideia de um ateliê coletivo, ou seja, uma prática de produção que se amplia a todos aqueles que passam por esse “corredor”. 

  Somos corredor. Espaço que transita. 

  A consequência desse lugar de passagem, é a criação de interligações além do espaço físico, isso coloca o trajeto que percorremos como experiência que nos contamina enquanto observadores e produtores. O convívio faz com que partilhemos materialidades, imagens e assuntos enquanto observamos e caminhamos dentro dos processos e fazeções dos outros. Isso indica o aparecimento de um pensamento poético coletivo que acaba por reverberar dentro da produção de todos.

   Por meio desse olhar surge o 7 EM SALA, uma mostra de processos do grupo, que funciona como um laboratório onde experimentamos e organizamos nossas ideias. Proporcionamos aos trabalhos essa outra etapa de relacioná-los a um conjunto e a um espaço, o que expande para atividades quando pensamos outros sistemas que englobam a produção dessa mostra, como a curadoria e a montagem por exemplo. Esse primeiro momento é gatilho para desdobramentos além do espaço como ateliê, surge aqui uma outra situação que proporciona o diálogo dos trabalhos com o público - a extensão desse corredor - uma etapa decisiva para o processo, como exercício profissionalizante. Este momento elucida pensamentos e consequentemente gera confiança e vontade de fazer e experimentar. Abrir as portas para mostrarmos os processos só adiciona na formação de uma rede de artistas, colaboradores e agentes culturais que ajudam a estender esse lugar, esse corredor que conecta os espaços.

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